sábado, 15 de abril de 2017
Outro dia li uma matéria no site do Paulopes onde se desenrolava a história de uma moça que, ao pegar um táxi, acabou por ter uma leve discussão com o motorista pelo fato de ela ser atéia. No texto o motorista não se conformava pelo fato de ela não acreditar em nenhum deus. Tamanha foi a frustração que eles acabaram por mudar de assunto.
No meu trabalho algumas situações costumam se desenrolar de maneira parecida. Ano passado eu discutia com dois amigos acerca das incongruências presentes na bíblia. Os amigos, um não crente, o outro agnóstico, e eu falávamos e os olhares nos permeavam, as pessoas não sentiam-se bem e um colega chegou a dizer que "só conhecíamos as partes 'ruins' da bíblia" e por isso a julgávamos. No dia seguinte, como a discussão seguia interessante, eu contava para meus amigos a história do povo judeu, sua mitologia e os desencontros de suas estórias, sobretudo no Egito. Mais tarde conversávamos sobre a criação do cristianismo e, não mais se contendo, uma colega me "ameaçou" com deus dizendo "Olha que deus lhe castiga hein! O telhado pode cair sobre sua cabeça."
Por fim um amigo me confidenciou duas histórias. Na primeira uma colega de faculdade, de igreja neo pentecostal, disse a outro colega de sala deles que "oraria para que deus destruísse sua vida" , tal é o grau de discordância em que eles chegam em suas conversas. O curso que eles fazem? Direito. Alguém tem dúvida de que a moça está no lugar errado?
Na segunda história ele conversava com um médico que classificou a homossexualidade como doença. Sim, um médico formado, classificou o homossexualismo como uma desordem física.
Parece piada mas, ao que tudo indica, nosso país passa por estado de ignorância generalizada, onde o respeito pela maneira com que o outro pensa, se é diferente ou contrária, deve ser combatida até o extermínio. A indiferença de pessoas que, em teoria, deveriam ser amáveis e respeitosos, o que era o objetivo de Jesus, tem se transformado em um ódio velado, ou uma raiva totalmente declarada. Enquanto as "ameaças" estiverem no plano das palavras tudo bem, afinal o "mal" no qual os crentes acreditam está apenas, e tão somente, em suas cabeças. Agora a coisa pode ficar mais "estranha" se cada vez mais religiosos ascenderem à política em cargos cada vez mais altos. Leis contrárias a liberdade e laicidade do estado podem ser aprovadas, sancionadas e, inadvertidamente, trazerem cada vez mais dificuldade para ateus, não crentes e praticantes de religiões que não o cristianismo.
Não obstante, existe a ameaça, real e muito próxima, de o Brasil eleger Bolsonaro como presidente, cidadão este que não gosta de minorias, homossexuais, não cristãos e outros. Com um homem como ele na direção deste país é impossível dizer como ficaria a condição destas pessoas e grupos os quais ele não aprova. Seus "seguidores" , embebidos em sua utopia, teriam a desculpa, e a proteção do estado, para perseguir quem quer que seja? Existiria espaço para nós não crentes? Como ficaria a condição de laicidade do estado?
Com o "estímulo certo" não seria incomum passarmos a assistir cenas que, hoje em dia, os cristãos consideram horrendas:
Queimar ateus, decapitar umbandistas(que já são tratados com tanto preconceito), atirar homossexuais do alto de prédios.
Todas essas coisas são possíveis, além de totalmente congruentes, em um estado totalitário religioso. Os atos do Islã, tão criticados pelos cristãos, converteriam-se na "justiça divina". Impossível? Obviamente que não. Os cristãos desconhecem sua história, creem que o mundo, como o conhecemos hoje, é uma obra de perversidade e da carência de deus. Basta que um "Messias" (e não é trocadilho) surja e aponte o caminho. Além do que, e isso não se pode esquecer, eles podem até não conhecer a maneira como o mundo ocidental tornou-se cristão, mas todos eles esperam uma guerra no apocalipse. Então queimar e matar todos os "infiéis", seria apenas a perfeita execução do plano divino. Basta aparecer o líder correto.
Ora, para outra colega de trabalho um ateu é um satanista. Mesmo que eu tenha tentado explicar que satanista é uma coisa e ateu outra. No mundo dela, é tudo a mesmíssima coisa pois quem não crê no deus em que ela acredita é do diabo e merece o inferno, ponto final. Com a ordem certa minha colega de trabalho pode, de uma maneira muito natural, passar de uma simpática senhora para uma ferrenha julgadora de infiéis que, banhada de orgulho, participará diretamente na morte de centenas de pessoas acreditando, profunda e apaixonadamente, estar cumprindo a vontade de deus.
Conforme o Brasil segue no caminho da evangelização total, não demorará para que a medievalidade retorne ao dia a dia e, que crimes hediondos transformem-se em atos da justiça de deus.
Onde é que vamos parar?
Link do site Paulopes:
http://www.paulopes.com.br/2011/11/dura-vida-dos-ateus-em-um-brasil-cada.html
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Apoiado. Comigo de vez em quando sempre acontece casos parecidos.
ResponderExcluirInfelizmente em grupos reunidos a maioria é contra nossos coerentes e pesquisados argumentos e ameaçam agredir-nos até fisicamente. São castrados intelectualmente e carentes de conhecimento.
Em primeiro, como sempre um ótimo texto para seu retorno.
ResponderExcluirInfelizmente tudo o que falou é fato, já vemos algumas cenas dessas como o caso do travesti que foi assinado a pauladas enquanto era xingado por sua escolha.
Vemos pessoas instruídas com pensamentos medievais... É o fim.
Obrigado Toni Garcia e Antônio Rosa pelo apoio. São os fatos do dia a dia, infelizmente está virando rotina.
ExcluirObrigado mais uma vez pelo apoio!
Otimo texto. Continue com o bom trabalho.
ResponderExcluirBoa referencias como o paulo lopes, um taxista tambem é sempre bom de conversa, pessoas da facul, do trabalho, a biblia, que a afinal é a grande referencia para ateus e não ateus.
Agora, se eu puder dar uma opinião. Esquece (um pouco) tudo isso. Pense em voce e escreve sobre voce, o seu ateismo, as suas coisas. as vezes misturas gente tão diferente, politicas, religioes, coisas muito diversas fica dificil de arrematar no final. O principal tem que ser voce.